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Você está apto a franquear?

Publicado em 10 de Aug de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Descubra como é o processo de formatação de uma franquia



Texto Marcelo Casagrande | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

franquia

O número de redes de franquias cresceu cerca de 25% nos últimos cinco anos aqui no Brasil. Se em 2012 a Associação Brasileira de Franchising registrava 2.426 redes, em 2016 já tinha 3.039 marcas. O avanço da quantidade de bandeiras que operam no País e expandem seus negócios por meio do franchising mostra que o setor que cresceu 8,2% no ano passado, mesmo diante de uma grave crise econômica, está no radar de muitos empreendedores. Mas de nada adianta almejar franquear a marca sem antes fazer uma análise para ver se o seu negócio realmente tem “cacife” para virar uma franquia.

O primeiro passo a ser dado é ter operações próprias que sirvam de modelo para erros e acertos. “O ideal é que se tenha testado o modelo de negócio em, ao menos, três unidades com perfis variados. É preciso ter a vivência em lojas de rua e quiosques que estejam em praças diferentes”, orienta o psicoterapeuta de donos de negócios e CEO da Cogni-MGR, Luiz Fernando Garcia.

O especialista diz que o empreendedor que pensa em franquear o negócio deve ter também a certeza de que o projeto terá como objetivo a sustentabilidade da operação a longo prazo. “Existem alguns franqueadores que são gananciosos e pensam apenas no dinheiro fácil que pode ser obtido por meio da taxa de franquia, mas se esquecem de que vão precisar dar todo o suporte necessário para os franqueados ao longo do contrato”, acrescenta Garcia.

O COMEÇO DE TUDO

Quando abriu a primeira unidade própria da rede El Supremo Churros em Araçatuba, no interior de São Paulo, Mara Fialho Rocha ainda não tinha certeza de que iria franquear a marca. A rede, que abriu as portas da primeira loja em um grande hipermercado da cidade no ano de 2015, foi testada, inicialmente, no formato de balcão – semelhante a um quiosque.

Um ano mais tarde, veio a segunda unidade, dessa vez em modelo de rua. Mara testou cardápios, fez alterações em receitas de produtos, errou e acertou na gestão do negócio e no padrão de atendimento da marca. Agora, quase dois anos depois, já se sente preparada para dar o próximo passo. Em junho de 2017 começou a formatar o modelo de negócio para o franchising. “A primeira coisa que minha equipe fez foi detalhar receitas, padronizar produtos e levantar custos. Passei a padronizar processos para facilitar o compartilhamento das informações”, explica a executiva.

A marca vende além de churros gourmetizados, crepes e bebidas. A ideia é lançar, ainda no segundo semestre de 2017, o modelo para expansão por meio de franquias. “Já temos interessados em algumas cidades do interior de São Paulo, mas só vamos abrir a primeira unidade franqueada depois de cada detalhe finalizado”, diz com cautela Mara que pretende expandir, no primeiro ano de operação, apenas em cidades próximas à sede da rede.

UM PASSO À FRENTE

As etapas pelas quais Mara ainda passa, o empresário Rodrigo Chen já passou antes de franquear a marca Padaria Pet, rede de confeitarias e petiscarias para cães e gatos. A rede, que começou com duas unidades próprias na capital paulista, transformou uma delas em franquia após dois anos da inauguração. Chen buscou a ajuda de uma consultoria externa para validar os procedimentos internos que tinha detalhado no começo do negócio. “Desde que decidimos franquear a marca até o lançamento do modelo final, demoramos cerca de 12 meses”, revela o executivo.

A ideia inicial era oferecer apenas o modelo de loja física, mas após pesquisas de mercado e orientações da consultoria, percebeu que poderia oferecer ainda franquias com outras características. Atualmente, são três formatos: loja física, quiosque e petiscaria store in store. O investimento inicial vai de R$20 mil a R$150 mil. Por se tratar de um setor com regras sanitárias e de qualidade rígidas, a rede decidiu por investir em uma fábrica própria para a produção dos petiscos para pets. O franqueado, dessa forma, passa a comercializar os itens produzidos pela franqueadora, além de desenvolver outras atividades para agregar valor ao negócio, como eventos entre pets e seus donos.

A terceira loja da rede será inaugurada no estado do Espírito Santo. “Até o primeiro semestre de 2018, pretendemos estar com dez lojas em operação”, projeta Chen.

FRANQUIA CONSISTENTE

A expansão de qualquer rede passa também pelos cuidados que a franqueadora tem com a formatação do negócio. Além das burocracias da Circular de Oferta de Franquia e do contrato de franquia, quem pretende franquear a marca tem que pensar na base de sustentação do negócio. “O investimento inicial que vai ser exigido do franqueado tem que ser cuidadosamente calculado”, reforça Luiz Fernando Garcia, da Cogni-MGR. O especialista lembra que para que o cálculo seja o mais perto da realidade, é preciso contar com planejamento no momento da seleção de fornecedores. É preciso ter consistência nessas parcerias. “O franqueador tem que ter certeza de que o fornecedor vai ter capacidade de entrega dentro dos prazos estabelecidos, além de garantir qualidade e padrão para todos os franqueados”, diz Garcia que complementa: “Deve-se acertar detalhes como a margem do preço dos produtos e as negociações específicas para uma ou mais unidades”.

Uma dica importante no processo de seleção de fornecedores é semelhante ao que um candidato a franquia deve seguir, guardada as devidas proporções. Vale a pena buscar referências no mercado, informações com outros clientes e logística de venda e entrega dos itens fornecidos. Cuidados que, se tomados, podem evitar problemas com atraso sem aberturas de lojas, por exemplo.

SEGUIDO À RISCA

Cautela essa teve o fundador da Belinda– rede de franquias de venda direta de semijoias –, Rafael Alves. A formatação do negócio durou quase dois anos e contou com a ajuda da RDZ Consultoria, de São José do Rio Preto/SP. De acordo com Alves, a formatação da franquia já foi bem estruturada desde o início. A ideia da venda direta de semi joias foi estudada e pensada antes de ser colocada em prática. “O modelo de negócios surgiu por uma necessidade do mercado, que não tinha nada parecido com o praticado pela rede atualmente”, comenta.

A formação em economia ajudou Alves a pensar a sustentabilidade do negócio. Apesar de ter menos de um ano de operação, a rede já conta com quatro unidades, sendo que uma delas é própria. A Belinda pretende atingir a marca de 50 microfranquias e faturar R$3 milhões ainda em 2017.

OUTRO CAMINHO

A rede de espaços de depilação Depile-se nasceu com a proposta de ser uma franquia. A marca contou com o know-how que os idealizadores já tinham adquirido em outros negócios. “Optamos por desenvolver internamente, pois já havíamos criado e colocado outras empresas no mercado, nos aproveitamos da nossa estrutura, tanto na expertise comercial quanto para fabricação deprodutos”, explica o diretor executivo da rede, Wilton Bezerra.

A formatação da franquia foi concluída em maio de 2013, três meses mais tarde a expansão foi colocada em prática. De lá para cá são 13 unidades em operação. O investimento inicial de cada uma ficou na casa dos R$92 mil. “Esperamos atingir a meta de 200 unidades até 2020”, planeja Bezerra. Ao longo do processo de formatação, algumas “verdades” precisaram ser revistas para atender à demanda. Uma delas foi em relação ao público que seria atendido pelas unidades. Em um primeiro momento, a proposta era atender mulheres, hoje, alguns anos mais tarde, o público masculino também conquistou o espaço.

Outro ponto que mudou foi a forma de atendimento. Se antes os planos apontavam apenas para horário previamente marcado, hoje a história é diferente. “Hoje continuamos com horário marcado e bonificamos esses clientes, mas atendemos também sem agendamento prévio, e isso é fundamental para o bom funcionamento da franquia”, justifica.

Revista Gestão & Negócios Ed. 102


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