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Setor 2,5: Saiba o que são negócios sociais

Publicado em 23 de Jun de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Como empreender nesse segmento que não para de crescer no Brasil?



Texto Marcelo Casagrande | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

setor 2,5

Ele está alí, bem no meio: de um lado o segundo setor, representado pela iniciativa privada. Do outro, o terceiro que reúne organizações sem fins lucrativos. E entre eles, o setor dois e meio, que abriga os chamados negócios sociais.

Ainda não sabe do que estamos falando? Pois bem, trata-se de organizações que tem como finalidade principal o viés social. A principal diferença das organizações sem fins lucrativos é que a lucratividade é utilizada para crescimento da empresa, lançamento e melhoria de novos produtos ou serviços, mas sempre sem perder o foco social. Entre as características fundamentais do modelo está o fato da sustentabilidade da empresa e da sociedade que está em sua volta sero carro chefe.

“Os colaboradores são remunerados conforme o mercado, mas têm melhores condições de trabalho e existe uma consciência plena das questões ambientais”, pontua o coordenador do curso de Administração da Anhanguera, Faculdade de Negócios de BeloHorizonte/MG, William Araújo do Carmo. E se engana quem pensa que os negócios sociais ainda são encarados apenas como uma tendência distante, pelo contrário, já fazem parte da realidade em muitos países do mundo. Para se ter ideia, uma pesquisa feita pelo banco JP Morgan com 99 investidores aponta que até o fim de 2013, os fundos podem injetar até R$18,1 bilhões no segmento. Um aumento de 12,5% se comparado ao investido em iniciativas de impacto no ano passado.

Segundo Carmo, os principais segmentos que contam com negócios sociais são serviços financeiros, saúde, alimentação, agricultura e educação.“Já temos várias empresas atuando e crescendo no Brasil devido ao governo não conseguir atuar de forma efetiva nessasáreas”, explica o docente.

 

1. Vem de berço

Antes de formatar um negócio que tem como proposta ajudar ao próximo é preciso saber que o caminho não é, assim, tão simples. A empresa já precisa nascer com o objetivo de ser uma empresa social. William Araújo do Carmo diz que a missão, a visão, os valores e, principalmente, a cultura organizacional são bem diferentes de uma empresa capitalista dita como normal, as quais têm como objetivo o lucro a qualquer custo. “Temos que destacar que, por outro lado, as ONGs conseguem se tornar um negócio social. Porque as ONGs já têm o objetivo social”, complementa o especialista.

De olho nesse mercado socialmente responsável, e depois de meses de discussão entre quatro amigos, surgiu em 2011 a Design Echos. Uma consultoria que tem como objetivo criar soluções inovadoras para as empresas que acreditam lucrar no setor que atuam, junto às mudanças sociais positivas. Em pouco mais de dois anos, a Design Echos conta com uma rede de 30 especialistas que colaboram com os projetos. Uma equipe que, antes de aplicar qualquer novidade no mercado, seja na criação ou desenvolvimento de produtos e serviços, descobre o que realmente importa àquele público, o que os motiva a aceitar a solução encontrada. “Nós acreditamos que este caminho nos leva a construção de empresas prósperas e de um capitalismo consciente”, opina a cofundadora e diretora da Design Echos, Juliana Proserpio.

O propósito da consultoria é escalar o impacto positivo por meio dos negócios. Juliana acredita que quando um negócio passa por uma transformação em grande escala, milhares de pessoas são impactadas. “Nosso objetivo é impactar um milhão de pessoas ainda este ano em parceria com os projetos que desenvolvemos com nossos clientes”, revela. Os planos da Design Echos são trilhados pela confiança. “A partir do momento que as pessoas sentem que podem confiar na empresa essa relação muda. Confiança é um dos fatores mais importantes para um bom relacionamento e uma construção de relacionamento de longo prazo”, afirma. A sede da consultoria fica em São Paulo, mas são nas regiões Sul e Nordeste do Brasil que as oportunidades têm se destacado. “Vimos então uma oportunidade em criar soluções para as empresas que olham para as pessoas de maneira holística”, completa Juliana Proserpio.

2. O “banco do bem”

A ideia saiu do papel em 2009, coma premiação de R$40 mil em um concurso de “negócios sociais”. Nascia entã oo Banco Pérola, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) creditícia, uma espécie de associação de crédito, sem fins lucrativos. O principal projeto é o microcrédito destinado a jovens empreendedores que queiram investir no próprio negócio e que não conseguiram junto aos bancos tradicionais. “Fazemos a orientação para esses empreendedores, através de visitas de acompanhamento ao negócio onde muitas vezes desenvolvemos a inclusão e educação financeira e a melhora de qualidade de vida do atendido após o aumento da renda gerada na família e na comunidade”, explica a diretora de operações e cofundadora do Banco Pérola, Adriene Garcia Marins.

O modelo de negócio, por si só, já é considerado algo com boa imagem, já que atua onde a grande parte dos outros bancos prefere evitar: pessoas carentes com restrições, sem garantia, sem comprovação de renda e histórico de crédito. O plano de expansão prevê a continuação como Oscip com a formação dos jovens e, no futuro, a abertura de uma instituição financeira que opere com microcrédito para profissionalizar o processo e ampliar o leque de produtos ofertados.

O banco, assim como na fundação, já ganhou diversos prêmios de reconhecimento como os da JP Morgan, Instituto Redecard e Fundação Flextronics. “Já emprestamos, até agora, mais de um milhão de reais para 350 empreendedores de Sorocaba, interior de São Paulo e de outras cidades da região”, revela Adriene. Por trás dessa história estão duas irmãs. Mulheres jovens que sempre se identificaram com a questão social e hoje mostram que é possível, sim, fazer mais e melhor pela comunidade. Adriene e Alessandra acreditam no modelo de negócios sociais, por ser justo com todos os envolvidos. “É possível ganhar dinheiro, porém desde que haja transparência, compromisso e respeito com o cliente, além de contribuir significativamente com a sociedade em que vivemos”, afirma.

3. O lado bom da coisa

Em um primeiro contato, o modelo pode gerar uma certa dúvida: afinal, quais os prós e contras desses negócios que não visam o lucro, e sim, o lado social? William Araujo do Carmo, da Anhanguera, Faculdade de Negócios de Belo Horizonte/MG garante que os prós são bem superiores e que é possível citar o envolvimento dos jovens de forma mais efetiva e colaborativa nos negócios sociais, o atendimento a comunidade, a sustentabilidade, a preocupação com o meio ambiente, além da valorização das pessoas, seja colaborador ou cliente. “Posso até ariscar a dizer que um dia teremos somente negócios sociais”, pontua Carmo que acrescenta: “O que vejo como contra é que temos que fazer o que o governo não consegue fazer em sua totalidade”.

4.Parceria com a ONU

Programa da ONU para o desenvolvimento, o Pnud, fez o chamado: juntas, as empresas podem ajudar na redução da pobreza de mais de 34 milhões de pessoas. Companhias do Japão, Dinamarca, Quênia e Filipinas abraçaram a causa. No Brasil, também teve adesão. Um delas foi da Sorridents – rede de clínica odontológicas voltada para públicos das classes C e D. A empresa que se enquadra como um negócio social por possibilitar o acesso da população carente a serviços odontológicos, já recebeu cinco prêmios por conta do trabalho desenvolvido, entre eles o da Associação de Franquias Sustentáveis. A presidente e fundadora da Sorri-dents, Carla Sarni, enxerga que o negócio social foi, e continua sendo, o grande pilar de sustentação de expansão da rede.

“A responsabilidade social, a atuação permanente na áreasocial e a consequente inserção na comunidade fazem parte do ‘Negócio Sorridents’. Não se trata de opção, mas sim uma das essências para que o negócio cresça e possa expandir”, analisa Carla. A empresa conta com uma divisão voltada à ações sociais, é o Instituto Sorridents que desenvolve projetos como o “Adote uma Criança”, destinado à adoção de alunos de escolas públicas para tratamentos odontológicos essenciais à saúde bucal. Há ainda o “Cultivando Sorrisos”, destinado à auxiliar entidades assistenciais.

Até agora, cerca de 21 mil crianças foram atendidas. Os projetos são realizados por meio do “Sorrimóvel”, um furgão que leva um consultório móvel aos locais de atendimento. “Atualmente, realizamos pesquisas ligadas à saúde bucal e o trabalho educativo de palestras levando conceitos de prevenção, higiene e cuidados, elevando, assim, o nível cultural das famílias nesse quesito, principalmente na região nordeste do País, pois possui uma maior carência de informações”, conta o diretor do Instituto Sorridents, Rubens Rafael.

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