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Loja de camisetas de super heróis bomba no setor

Publicado em 13 de Jul de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Conheça Piticas: Franquia de camisetas divertidas voltadas para o mundo Geek



Texto Juliana Klein | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Divulgação

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Os jovens irmãos Felipe e Vinicius Rossetti viveram de perto desde muito cedo a intensidade da cultura pop e de super-heróis dos norte-americanos. Eles foram morar nos Estados Unidos quando ainda eram crianças, pois o pai havia se mudado para Ohio.

Quando voltaram para o Brasil, em 2009, perceberam que aqui também começava a existir uma legião de fãs por esse tipo de produto, os geeks, porém, muito carentes ainda de marcas e produtos voltados para esse segmento. No entanto, segundo Felipe Rossetti, a ideia de abrir uma empresa de camisetas só se tornou definitiva quando ele trabalhava no Shopping Serra Azul, na Rodovia dos Bandeirantes.

Lá conheceu uma loja de camisetas que não eram de super heróis, mas de sátiras. “Comecei a observar um estilo diferente de pessoas comprando aquelas camisetas, então investiguei com os donos como funcionava este mercado no Brasil. Foi como descobri que aqui este segmento ainda era amador e não havia ninguém que fazia de forma profissional. Juntei a vontade de ser empreendedor, pois já havia estudado para isso lá fora, com uma lacuna que tinha no mercado, e abri com meu irmão a Piticas”, conta ele.

Espelhando-se em marcas dos Estados Unidos e nas experiências vividas por lá, começaram a buscar o licenciamento dos personagens e criaram, na garagem de casa, a empresa de camisetas voltadas exclusivamente para o mundo geek. “Eu e meu irmão pedíamos para o nosso pai deixar o carro para fora e utilizávamos a garagem para fabricar as camisetas. Compramos duas máquinas de costuras e uma de estampar, e nós dois mesmos fazíamos tudo em 50 m²”, relembra.

O SALTO PARA O SUCESSO

Hoje a fábrica da Piticas está localizada em Guarulhos, em uma área fabril de 8 mil m² com cerca de 600 funcionários. São fabricadas 18 mil peças por mês, vendidas por aproximadamente R$39,90. E eles fazem todo o processo, desde a tecelagem, tinturaria, corte, costura, estamparia etc. Felipe Rossetti recorda, como já dissemos, que, quando começaram, esse mercado geek era muito carente no Brasil, mas agora tem muitas empresas querendo fazer o que eles fazem. “O grande diferencial é que temos todas as licenças do mercado, esse foi o nosso maior investimento desde o começo e que valeu muito a pena. Agregamos todas as grandes marcas do mundo, não só do Brasil. Então, hoje, camiseta licenciada como a nossa é difícil de achar”, comemora.

De acordo com ele, os magazines até começaram a enxergar essa oportunidade e entraram nesse mercado de maneira forte. Mas o foco deles não é o público da Piticas. “O nosso público é o geek, e o deles é o fashion. Por isso estudamos, vivemos e respiramos constantemente o mundo geek. Sabemos exatamente o que esse público quer e direcionamos exclusivamente para eles”, explica.

FRANCHISING

A primeira loja da Piticas para a venda direta para o consumidor foi aberta em setembro de 2010, em São Paulo. E depois de um ano eles já haviam aberto 12 lojas próprias. Contudo, viviam um entrave financeiro para operar essas lojas. “Infelizmente, o varejo de shopping tem uma rotatividade de funcionários muito grande e por isso operávamos essas lojas com dificuldade, especialmente para fazer treinamento”, revela. O fundador da marca conta, contudo, que começou a surgir uma demanda muito grande de franquias, automaticamente pelo sucesso e pela exposição que tiveram com essas primeiras 12 unidades. “Ficamos interessados então pelo franchising. Eu e meu irmão sentamos e analisamos que ou começávamos a franquear para chegar ao sonho de 100 lojas, ou seria difícil como loja própria, pois precisaríamos de uma estrutura gigantesca”.

Em 2012 entraram para o sistema de franchising e em um ano e meio atingiram as 100 unidades. Contando lojas próprias e franqueadas, eles faturaram naquele ano R$350 mil, e em 2016 deram um salto para R$78 milhões. Um faturamento muito rápido em apenas quatro anos.

UM DESAFIO E TANTO

De acordo com Rossetti, o mercado em que eles atuam sempre foi muito difícil e concorrido, especialmente porque eles batem de frente com empresas gigantescas. Além disso, nunca tiveram um investidor de fora que financiasse a empresa. “Bancar o nosso sonho sempre foi muito difícil. Começamos com R$5.600,00 sem ajuda de ninguém, sequer de pai e mãe. Foi tudo na raça”, afirma.

Em 2014, por exemplo, em meio à Copa do Mundo, a Piticas passou pelo ano mais delicado financeiramente, sem muito fôlego para sobreviver. O fundador da marca enfatiza que ficaram muito próximos de fechar as portas. “Tudo que ganhávamos reinvestíamos nos licenciamentos, então não tínhamos fluxo de caixa. E, naquele ano, o varejo como um todo estava passando por um momento muito difícil”, aponta.

O único meio de faturamento e receita da empresa é com o pagamento de mercadoria. “Ganhamos dinheiro através da venda de camisetas, e não com a venda de franquias. Então eu preciso que o meu franqueado venda camiseta. Quando ele para de vender ou vende menos, isso afeta diretamente a matriz”, explica. Mas, na opinião de Felipe Rossetti, foi por isso que a Piticas conseguiu dar a volta por cima naquele ano difícil e agora vai tão bem. “O nosso maior interesse é que o franqueado venda, porque, se ele não vender, não compra. E por isso eu tenho consultores na rua, acompanhando o franqueado, treinando seus funcionários para que eles vendam mais. E isso vira um ciclo saudável para todo mundo”, estima.

Rossetti mostra que eles passaram por muita consultoria para conseguir formatar essa franquia de uma forma simples, mas que foi o maior acerto. “Não reinventamos a roda, simplesmente fizemos uma franquia que pode ser alterada com facilidade. Ela tem um produto que tem alto giro, então o franqueado não tem encalho nem vencimento de mercadoria. E conseguimos formatar isso deuma forma que hoje ela se consolidou muito”, comemora.

CLIENTES NÃO, FÃS!

Segundo o empresário da Piticas, eles possuem uma base de fãs, ou seja, não chamam de clientes, pois consideram que os compradores da marca são verdadeiros fãs. “Esse público geek é muito fanático. Então, se conseguimos atingi-lo, ele se torna fiel. E conseguimos conquistá-los lançando coisas que ele precisa e busca. Nós os fidelizamos de uma forma que não vão sair da Piticas e comprar em outro lugar, porque sabem da qualidade, compraram a cultura que imprimimos”, afirma.

Um exemplo desse reconhecimento, inclusive, é que a Piticas entrou no Top 10 de Vendas da Warner Bros. “Quando nos passaram o estudo, tanto eles quanto nós ficamos assustados, porque não somos grandes. E mesmo diante de um País bagunçado por conta da economia, ano passado foi o melhor ano da história da empresa. A própria Warner se impressiona, pois enquanto outras empresas com a crise estão levando menos royalties, nós estamos com 60%, 70%a mais. Demonstra que a marca maturou e que conseguimos construir uma empresa consolidada”, comemora o empreendedor.

A Piticas possui unidades em centros comerciais, aeroportos, galerias, rodoviárias e shoppings. São no total 272 lojas, sendo sete físicas, e o restante, quiosques. A meta é chegar a 400 unidades ainda em 2017. “Estamos em um ritmo bem legal, abrindo em torno de dez lojas por mês. Ano passado abrimos 150 unidades e, se mantivermos o ritmo, conseguiremos atingir essa meta”, espera Felipe Rossetti que revela estar de olho também na internacionalização. Já estão sondando o Chile e depois começarão em outros países da América Latina.

Revista Gestão & Negócios Ed. 100


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