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Saiba como pilotar uma franquia

Publicado em 11 de Jul de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

E alguns cuidados para não cair em queda livre



Texto  Allan Comploier | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shuttertsock

pilotando sua franquia

Você sempre teve o sonho de ter um helicóptero. Economizou toda sua vida para, finalmente, comprar a máquina dos seus sonhos. Pesquisou diversos fabricantes e modelos,  recomendações de clientes, até que, finalmente, definiu qual máquina que mais lhe passou segurança e tinha as especificações que desejava.

Você vê alguma similaridade com a escolha de investir em uma marca específica do franchising? Depois de centenas de horas gastas pesquisando opiniões de diversos pilotos (franqueados) em relação à qualidade da máquina que está propenso a comprar, vem a decisão de compra. O fabricante (franqueador) proporcionou a você um treinamento que foi muito bem elaborado e completo, e você está prestes a iniciar suas primeiras horas de voo, com o auxílio de um instrutor do fabricante (consultor de campo e negócios). Passam-se as primeiras dificuldades na pilotagem da máquina – afinal de contas, você não está acostumado a pilotar – e seu passeio torna-se tranquilo e agradável, pois, acima de tudo, você está motivado e focado.

Entretanto, o tempo nem sempre estará bom para voar. Uma tempestade vem a caminho e, de repente, seu helicóptero enfrenta dificuldades no ar. O fabricante, idôneo, sempre buscando oferecer um serviço e suporte da mais alta classe, disponibiliza um departamento exclusivamente para prestar suporte de como atuar em casos de adversidade, para que seu helicóptero não caia.

Veja bem: a franqueadora não enviará um piloto de emergência para realizar as manobras por você, mas lhe dará suporte, via rádio, sobre que manobras você terá que executar, quais  ferramentas utilizar, porém quem continuará no controle (e decidirá seguir ou não as diretrizes do controlador de voo) é você. Sua decisão o levará a sair da dificuldade ou irá causar ainda mais problemas, talvez difíceis de serem revertidos. Agora, imagine que o órgão aeroviário regulador dos fabricantes não seja eficaz e que feche os olhos para peças erradas ou recondicionadas que os fabricantes utilizaram para montar esse helicóptero.

Você, ainda assim, sentirá confiança em comprar a máquina? E o que falar de um fabricante que ainda não testou nenhum helicóptero (nem ao menos um!), para saber se esse modelo realmente voará? Será que esse órgão regulador deveria deixar isso acontecer? Na minha opinião, deve ser exercido um maior controle de qualidade dentro do franchising. O único órgão regulador que temos hoje no Brasil (e que, convenhamos, realiza muito bem o papel de fomentar o franchising) é a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Como consultor, franqueador e publicitário, o que vejo são diversas marcas recém-nascidas no mercado, que ainda não possuem marca forte e/ ou com processos coesos, prospectarem “cobaias” para pilotarem seus helicópteros. Eles não se importam se o helicóptero vai cair ou não. O que importa é a venda feita, com o dinheiro do investidor no bolso. Cabe, então, ao futuro comprador do “helicóptero”, a pesquisa completa do fabricante e do modelo em questão. Preferencialmente, deverá fazer um test-drive do helicóptero junto a um piloto que já comprou a máquina há algum tempo, através do que chamamos de discovery day.

Em suma, pilotos inteligentes buscarão comprar um helicóptero apenas de marcas de sucesso comprovado por meio de testes, adaptações, controles e muita pesquisa e dedicação, mesmo que o valor de investimento seja maior. Enalteço: da mesma forma que um helicóptero, tentar economizar capital abrindo uma franquia “barata” pode derrubar você e, pior, quando estiver caído na floresta, não existirá ninguém para socorrê-lo.

Revista Gestão & Negócios Ed. 100


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