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Qual a melhor forma de calcular seu capital de giro?

Publicado em 01 de Aug de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Por mais que pareça um ponto básico, o tema ainda é um mistério para alguns empresários



Texto Marcelo Casagrande | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Istock.com

capital de giro

Como anda a saúde financeira da sua empresa? E o capital de giro está sendo calculado da maneira correta? São tantas perguntas que pairam na cabeça dos empresários, principalmente os de pequeno porte, que acabam ficando sobrecarregados e, dessa forma, tomam decisões erradas. Considerando-se que o capital de giro é o valor que a empresa possui para manter sua operação no dia a dia, seu cálculo está baseado nas contas a receber, no estoque e no caixa da empresa.

“Há uma forma simples de calcular o capital de giro, que resulta da diferença entre o seu ativo circulante, como aplicações financeiras, caixa, bancos, contas a receber, entre outros recursos, e seu passivo circulante, que são as contas a pagar, fornecedores, empréstimos de curto prazo”, descreve a coordenadora de pós-graduação, pesquisa e extensão da Faculdade de Administração Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), Silvye Ane Massaini.

Segundo o sócio da Blue Numbers Consultoria, Márcio Iavelberg, a empresa tem necessidade de capital de giro em, basicamente, duas situações: “A primeira delas, quando está operando abaixo do ponto de equilíbrio, ou seja, quando a receita é menor que a despesa”, diz Iavelberg que completa: “A segunda, quando está com descasamento em alguns prazos: prazo médio de recebimento (dos clientes) e o prazo médio de estocagem são maiores que o prazo médio de pagamento dos boletos”.

NADA DE ERRO

Mas nem sempre os empresários sabem controlar as finanças. É nesse momento que entram em cena as derrabadas administrativas. Os principais erros cometidos pelas empresas, principalmente as de pequeno porte, estão relacionados à falta de planejamento e provisão do fluxo de caixa. “Isso faz com que as empresas acabem procurando outras fontes de financiamento, como os bancos, para cobrir suas dívidas de curto prazo”, pontua a docente da FAAP.

Silvye diz que o que ocorre, na maioria dos casos, é que, em situações de emergência financeira, a empresa acaba vulnerável às condições de crédito e financiamentos, acarretando em maiores juros ou então em termos contratuais desfavoráveis que podem comprometer ainda mais o capital de giro da empresa. Misturar as contas da pessoa física com as da pessoa jurídica é outro grande passo para o insucesso. Pode até levar a empresa para a falência. “Toda e qualquer operação existente entre caixas deve ser computada como um tipo de empréstimo, quer seja da pessoa física para a jurídica, quer seja da jurídica para a física, com juros e correções monetárias e formas de pagamento claramente estabelecidas”, orienta o diretor da Telos Resultados, Luiz Muniz.

Quando existe mistura dessas contas, é a mesma situação de você abrir uma conta conjunta com uma pessoa que você nunca viu na vida. Outro ponto negligenciado que compromete o capital de giro é o descuido com o excesso de compras. Quando a empresa é pequena, ela se torna mais vulnerável a realizar compras maiores a fim de conseguir mais descontos em suas compras, com o objetivo de gerar mais lucro. Muniz alerta que, por maior que seja o lucro, o tempo necessário até que todo esse estoque seja vendido é maior que o tempo que a empresa tem para pagar os fornecedores.

Para se aproveitar de boas condições comerciais e não comprometer o capital de giro, estabeleça um bom planejamento comercial e garanta que as vendas realmente aconteçam.

SEMPRE NA LINHA 

Na rede Minds Idiomas os franqueados recebem orientação constante da franqueadora para não sair da linha. “É necessário ter tudo documentado. Além disso, ter todo o conhecimento do fluxo de caixa e do ciclo financeiro do seu negócio e, por fim, sempre tentar reduzir e manter os custos e despesas extras”, enumera a CEO da Minds Idiomas, Leiza Oliveira.

Com a postura correta, os franqueados diminuem os riscos e podem atingir melhores resultados. “A administração do capital de giro depende de alguns pontos, como a economia do País, expansão, ou seja, exige uma boa avaliação de todos os recursos financeiros, compras, vendas, prazos…”, completa a executiva.

ANTECIPAR PODE AJUDAR

Antecipar recebíveis é uma boa alternativa para restabelecer o caixa da empresa e não atrasar pagamentos em uma necessidade pontual. Se isso for uma necessidade rotineira, indica que a empresa tem outras anomalias importantes que afetarão a sobrevivência dela e, por isso, devem ser tratadas imediatamente. “Ao antecipar recebíveis, são descontadas alíquotas da transição que variam conforme cada instituição financeira”, lembra Luiz Muniz, da Telos Resultados.

Muniz reforça que, como antecipar recebíveis tem o mesmo efeito que dar desconto para receber à vista, vale lembrar que a cada 10% de desconto na venda, impõe, em média, a necessidadede se aumentar o volume de vendas em 33% para que o lucro seja o mesmo.

NÃO CONFUNDA

É muito comum os relatórios gerenciais das empresas confundirem gastos com investimentos, como reformas, estoques, compras de softwares, carros, uma nova sede, com despesas operacionais da empresa. Esse equívoco faz com que o empresário perca o foco na gestão do negócio por “misturar” coisas diferentes para a tomada de decisão. Ter caixa é uma coisa completamente diferente de ter capacidade de gerar caixa. “Ter caixa negativo é sinal de excesso de estoque, prazo médio de pagamento menor que prazo médio de recebimento e baixa capacidade de gerar caixa”, exemplifica Muniz.

Por outro lado, ter baixa capacidade de gerar caixa ou ter capacidade de gerar caixa negativo é consequência da má gestão de vendas, dos custos operacionais e das despesas do dia a dia. “Para ter sucesso no negócio, é fundamental ao pequeno empresário ter o mesmo modelo de gestão das grandes empresas, o que é perfeitamente aplicável, com a vantagem de ser muito mais rápido de ser implantado”, finaliza o executivo da Telos Resultados.

Revista Gestão & Negócios Ed. 102


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