Newsletter

Cadastre-se e receba todas as novidades

Procrastinação no trabalho: como lidar?

Publicado em 05 de Jul de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Encontrar profissionais que protelam na execução de tarefas é mais comum do que se imagina



Texto Marcelo Casagrande | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

procrastinação

Tem quem chame de preguiçoso. Outros rotulam decomo “o que sempre empurra com a barriga”. Mas, afinal, em que esses dois perfis são parecidos? A resposta é simples: deixar para amanhã – ou depois, ou para outra semana – o que pode ser feito hoje.

As vezes, o que acontece é que organizar a agenda mais parece um desafio ou ainda o tempo em que o profissional passa dentro da empresa parece não ser suficiente. Essa postura tem nome e pode ser encontrada na letra P do dicionário da língua portuguesa.

Segundo o Houassis, procrastinar é adiar, delongar, postergar. Qualquer semelhança com algum dos seus funcionários não é mera coincidência. Quer saber como detectar o problema? Então, fique ligado. O palestrante e escritor, conhecido como sr. Gentileza, Luiz Gabriel Tiago, diz que duas em cada dez pessoas são atingidas pela procrastinação. A origem pode ser de ordem psicológica devido à alta carga de ansiedade ou baixa autoestima – essas ocasionadas por acúmulo de trabalho, estresse rotineiro ou problemas pessoais.

Também pode ser de ordem fisiológica devido a disfunções cerebrais. “Os gestores ou profissionais de recursos humanos devem fazer uma investigação para não confundi-la com uma ‘preguiça’ emocional ou a própria depressão, que podem impedir as pessoas no desempenho de qualquer tarefa”, orienta o Gentileza. A psicóloga e diretora da Rhumo Consultoria, Lara Castro, complementa dizendo que a procrastinação pode ser involuntária. “A pessoa sabe o que tem que fazer, tem vontade de fazer, mas entre pensar e agir, ela não consegue ter a ação”, explica. Isso é causado por outros tipos de comportamentos, como por exemplo, medo de errar e fracassar, o perfeccionismo, a ansiedade, a impulsividade.

No caso do perfeccionismo, a pessoa pode perder muito mais tempo pensando na forma de fazer a tarefa perfeitamente do que agindo: “O medo de errar é muito grande”, ressalta Lara.

1.Desculpas sem fim

Outra situação que tira qualquer gestor do sério é quando o profissional sempre tem na ponta da língua uma justificativa para o problema. Então a criatividade entra em cena: o atraso é transferido para terceiros que, às vezes, não tem nada a ver com a história; culpam fornecedores, equipamentos, clima... e por aí vai...Profissionais que vivem justificando as falhas costumam gastar grande parte do tempo com o retrabalho. Resultado: queda de rendimento. “Os processos podem ser atrasados, sofrerem alterações no seu escopo original e, até, implicar no relacionamento com os clientes – principalmente se prazos acordados não forem cumpridos”, enumera o sr. Gentileza.


2. De que forma encarar?

E você, já se deparou com situações de procrastinação? Então pare e mantenha a calma. Diagnosticar que esse comportamento ocorre já é o primeiro passo. Depois, entender o motivo e as suas origens. Isso faz com que o gestor possa desenvolver as ferramentas necessárias para combater a procrastinação. Especialmente, é importante ter em mente que às vezes essas pessoas podem não ter consciência do comportamento, então, com certeza, precisarão de apoio e suporte, seja do líder ou de um profissional especializado.

“Caso esse sintoma esteja associado à desmotivação, é importante o líder descobrir qual a fonte: problema com liderança, pares ou subordinados, tarefas desinteressantes, descrença na liderança ou empresa, insatisfação com remuneração ou problemas pessoais”, orienta o CEO da De Bernt Entschev Human Capital – empresa nacional de soluções em capital humano –, Bernardo Entschev. Lara Castro lembra que o gestor deve, sempre, dar feedback para o profissional. É importante ter um bom conhecimento de comportamento humano para saber distinguir procrastinação, do que é uma falta de vontade, do que é um não saber realizar a tarefa. “Eles devem acompanhar o funcionário, porque as vezes não é procrastinação, mas, sim, um problema pessoal. Nesse caso, o gestor deve oferecer apoio e até acompanhar o funcionário mais de perto”, afirma Lara.

3. Demissão

A demissão de um colaborador deve ser uma das últimas alternativas no caso defalta de rendimento ou comprometimento. Existem várias formas de recuperar um profissional na empresa e devem ser levadas em consideração antes de uma atitude extrema como o desligamento. “Muitos gestores acreditam na humanização de suas lideranças e defendem um relacionamento saudável entre todos, pois entendem que o comprometimento e envolvimento no trabalho estão diretamente ligados à satisfação em estar ali, pois poderiam estar na concorrente ou em qualquer outra área”, analisa o Gentileza.

4. A volta por cima

A recuperação existe, sim. Para isso, é preciso contar com a sensibilização do profissional para que ele entenda o próprio comportamento. Depois disso, o ideal é partir para treinamentos específicos ou até mesmo um programa de coaching. “Recomendamos sempre que haja um esforço em motivar esses colaboradores de forma intensa e que os objetivos da empresa e da área sempre fiquem muito claros”, destaca Bernardo Entschev. Também é importante mostrar como os atrasos estão emperrando o bom desempenho da empresa ou da área. A reversão desse quadro é possível, mas tem que haver empenho do lado da empresa e seguramente do profissional em querer mudar o comportamento.

 


COMENTE