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5 passos para evitar a fofoca

Publicado em 17 de Jul de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Estudo feito na capital paulista revela que 8 em cada dez entrevistados afirmam que a fofoca é o principal incômodo no ambiente de trabalho



Texto Marcelo Casagrande | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

fofoca

 

1. COMO TUDO COMEÇA

 Maria conta para Claudia, que diz para Joana, que aumenta para Flávio, que repassa para Douglas, que afirma para Silvia... e por aí vai. É assim, ao pé do ouvido ou descaradamente, que um assunto ganha repercussão. Já dizia o ditado: “quem conta um conto, aumenta um ponto”. Nasce então a fofoca. Há quem diga que a vizinha é sempre a mais falastrona, mas muitos nem se tocam que o colega de trabalho– aquele que pode sentar ao lado – pode ser ainda pior. Só quem já foi vítima de uma falácia sabe o que é ser alvo da língua afiada. Marta* (*nome fictício) não consegue esquecer o caos que viveu. Ela conta que uma promoção dentro da empresa foi o pontapé inicial para uma sequência de inverdades. “A colega que estava disputando a mesma vaga comigo, passou a se virar contra mim. Os segredos que confidenciei a ela durante bastante tempo tornaram-se coletivos. O problema é que virou uma bola de neve. Em pouquíssimo tempo fui chamada por um diretor da empresa que cobrava explicações”, recorda Marta.

A experiência negativa só terminou no dia em que pediu demissão por conta de uma nova oportunidade profissional. “Aceitei o convite da outra empresa muito mais pelo clima pesado do que pela proposta”. A profissional é apenas uma pessoa dentro de milhares que são alvo de fofocas todos os dias. É praticamente um mal crônico dentro das empresas. É a famosa “rádio-peão” que, dependendo da situação, faz alvos diferentes: colegas de trabalho, superiores ou a própria empresa.

A coach e consultora de carreira e imagem, Waleska Farias, diz que a competitividade excessiva, a desconfiança entre as pessoas e a falta de uma liderança eficaz formam uma mistura explosiva. Quando os gestores responsáveis por estimular o entrosamento entre as pessoas da equipe e assegurar que o clima no ambiente de trabalho seja amistoso isentam-se das suas responsabilidades, o resultado é sempre desastroso. “Alguns funcionários, sem referencial de liderança, se permitem pensar e comentar sobre o que acham da empresa, do chefe, dos colegas e, muitas vezes, dependendo da sua influência, conquistam seguidores que os ajudam a construir e espalhar a fofoca”, explica Waleska. É fundamental que o gestor esteja sempre próximo à equipe, posicionando-se a respeito dos acontecimentose indicando as diretrizes a serem seguidas.

A advogada especializada em relações de trabalho e consultora de planejamento estratégico de RH do Great Group, Marisol Camarinha, garante que é muito difícil saber de onde vem a fofoca. A especialista diz que a falação sem fim faz parte do comportamento das pessoas, independentemente do nível cultural, cargo ou do sexo. “Existem fofocas na sala dos executivos das empresas, no refeitório das fábricas, no banheiro, nas reuniões de confraternização dos aniversariantes do mês, enfim, em toda parte. Em geral, quem começa a fofoca é alguém que tem um imenso desejo ou necessidade de aparecer, de ser popular na empresa”, esclarece Marisol.

2.DIANTE DE UM FOFOQUEIRO

A fofoca é como uma praga em uma plantação: espalha-se rapidamente, contamina o ambiente, faz as pessoas perderem tempo, distrai, desvia o foco. Por isso, deve ser combatida imediatamente. Ao ser detectada, é preciso enfrentar a situação e conversar francamente com o suspeito da fofoca. “O fofoqueiro é alguém que não sabe se comportar de modo adequado, educado e discreto. O comportamento define se o profissional é ou não confiável e, hoje em dia, é um diferencial de grande peso no momento de se decidir uma promoção ou uma demissão”, opina Marisol. Antes de abordar o funcionário acusado de construir e reproduzir a fofoca, Waleska Farias lembra que o líder deve munir-se de provas para certificar-se de que, de fato, apessoa é responsável pela acusação.

Dependendo da seriedade do ocorrido uma repreensão bem conduzida pode ser suficiente. “Quando os boatos comprometem a reputação de terceiros ou mesmo a credibilidade da empresa é cabível advertência por escrito, suspensão e em alguns casos mais graves até mesmo a demissão do funcionário”, complementa. A “rádio-peão” atuante esconde muito mais do que um ambiente marcado por fofoqueiros. Evidencia que algo de errado está acontecendo com o clima organizacional da empresa. “Pode revelar falta de feedback por parte de líderes e gestores, centralização de informações, falta de retorno aos colaboradores, sentimentos de injustiça, desengajamento e até mesmo falta de motivação para otrabalho”, e numera a psicóloga e palestrante Gisele Meter.

Não há como negar que a fofoca desperta interesse das pessoas – umas mais, outras menos –, afinal, a curiosidade em relação à vida alheia faz parte da característica do ser humano. Gisele diz que é interessante ver que muitas pessoas gostam de fofoca, mas a maioria não admite ser fofoqueira, o que torna este comportamento ainda mais velado. “O problema da fofoca é que, dependendo do caso, pode trazer consequências sérias para os envolvidos, desde a demissão até danos psicológicos irreparáveis”, reforça a psicóloga. É preciso entender que a fofoca é uma forma de ataque mais sofisticado considerada como bullying e merece a mesma atenção que agressões convencionais.


3. O PHD EM FOFOCA

Cada empresa elege uma forma de lidar com a “língua afiada” alheia no ambiente de trabalho. Algumas são mais severas quanto à punição dos envolvidos em boatos e desordem e optam pela demissão para “cortar o mal pela raiz”. Outras são a favor da condução do problema de forma mais amena. Dependendo do caso, as partes envolvidas se reúnem e retratam-se assumindo o compromisso de evitar esse tipo de incidente.

“O RH tem papel essencial, pois atua como interface entre a empresa e seus profissionais para que sejam observadas e mantidas as regras estabelecidas como código de conduta”, pontua Waleska Farias e completa que, algumas vezes, dinâmicas e campanhas interativas são promovidas para aproximar as pessoas e manter a saúde do ambiente de trabalho, evitando assim que a “rádio-peão” tenha ainda mais audiência.


4. PERSONALIDADE QUE INFLUENCIA

O analista comportamental Getúlio Chaves usa um sistema milenar de estudo, o eneagrama, para apontar quais tipos de personalidade existem e em quais se encaixam potenciais fofoqueiros. Em um ambiente de trabalho é possível encontrar pessoas de diversos tipos. Elas vão desde as mais racionais, passando pelas sentimentais e chegando às mais práticas. Chaves garante que qualquer “eneatipo” pode fazer fofoca, mas destaca que os que atuam sempre nos bastidores podem facilmente cometer atitudes que lhes garantam uma vaga à sombra do poder.

“São pessoas que agem como intercessores, mas não querem que ninguém se aproxime da autoridade máxima. Dominam, manipulam e também podem envenenar com fofocas”, descreve o analista comportamental. Outro tipo propenso a fofocas é o grupo daqueles que têm como paixão central - emoção mais forte que orienta as atitudes das pessoas- a inveja. Neste caso, a fofoca surge com o intuito de diminuir e ridicularizar o outro. Lidar com pessoas fofoqueiras das mais diversas personalidades exige muita atenção, prudência e firmeza.

Atenção contra os ataques, prudência para não ser seduzido e firmeza para manter seu objetivo e seu caráter em primeiro lugar. “Conhecendo as motivações do outro através do estudo das personalidades, com o eneagrama, por exemplo, fica mais fácil distinguir essas pessoas e mesmo ajudá-las a romperem com as cadeias da distorção de valores criadas pela distorção da personalidade, processo ocorrido na primeira infância”, afirma Chaves.

5. PESQUISA

Um levantamento feito com 39 profissionais em processo de coaching revelou que 80% das demissões nas empresas são originadas por problemas, como fofocas, falta de postura e desrespeito nas relações de trabalho, onde “brincadeiras” de mau gosto, muitas vezes, expõem as pessoas e comprometem o resultado de toda a equipe. Um comentário maldoso pode atingir proporções alarmantes e prejudicar não somente quem foi vitimado pelo mesmo, mas também a trajetória profissional de quem se dispõe a criá-lo e reproduzi-lo.

“Com oadvento do assédio moral, dependendo da extensão do boato, o profissional fofoqueiro, além de ser demitido por justa causa, pode até mesmo ter de responder a processo”, finaliza a coach e consultora de carreira, Waleska Farias.

Coleção Negócios - Gestor de Sucesso


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