Newsletter

Cadastre-se e receba todas as novidades

Saiba o que é "uberizar" um serviço

Publicado em 16 de Aug de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Aplicativos aproximam prestadores de serviços de usuários e geram novo modelo de negócio



Texto Marcelo Casagrande | Adaptação Giovanna Henriques | Shuttertsock

uberização

Conheça os aplicativos uberizados

O verbo não existe nos dicionários, mas diz muito sobre um hábito de usuários que têm aumentado cada vez mais: “uberizar”. A expressão, que tem relação direta com a tão falada economia compartilhada, começou a ser espalhada após a popularização do aplicativo de transportes Uber. O aplicativo que revolucionou a forma como as pessoas se locomovem, principalmente nas cidades de médio e grande portes, está constantemente nas páginas de jornais e portais de notícias e nem sempre por bons motivos, mas não falaremos desses pontos nesta reportagem.

Independentemente dos resultados atingidos pelo negócio em si, o quese pode afirmar é que o legado deixado pela plataforma é um exemplo a ser seguido– ou não – por outras empresas. Para o especialista em inteligência competitiva, Alfredo Passos, os aplicativos são a nova realidade na comunicação com os consumidores. “Grande parte da indústria chamada de ‘soluções cognitivas ou inteligência artificial’ está desenvolvendo aplicativos para que as pessoas possam utilizá-los das mais variadas formas. Da saúde ao banco, do transporte àescola, do trabalho às viagens de lazer”, comenta Passos.

Passos lembra que com pequenos investimentos é possível desenvolver um aplicativo, que na verdade é uma empresa. “Com poucos colaboradores você tem um negócio em escala internacional”, comenta o especialista que vai além: “O Uber se tornou uma empresa internacional em menos de dez anos. Com quatro anos de Brasil, já ultrapassou os 13 milhões de usuários ativos no País”. É preciso ter em mente que o crescimento e a sustentação do negócio vão exigir investimento, capital e planejamento por parte do empreendedor.

NOVO MODELO DE HOSPEDAGEM

 Se o Uber abriu as portas para um novo formato de transporte de passageiros, pode-se dizer que o Airbnb foi o responsável por estimular a chamada hospedagem alternativa. Os números do aplicativo que une pessoas que buscam um local para se hospedar a donos de imóveis que querem receber para locar cômodos ou imóveis são impressionantes: a comunidade conecta pessoas em 191 países em mais de 65 mil cidades. São mais de 3 milhões de anúncios ativos. Desde a criação, em 2008, o aplicativo já registrou mais de 180 milhões de estadias de viajantes.

No Brasil, o Airbnb iniciou as operações em 2012 e já superou a marca de um milhão de hóspedes. “O ano passado foi decisivo para o Airbnb no País, pois fomos escolhidos como hospedagem alternativa oficial da Olimpíada do Rio de Janeiro. A parceria foi responsável por incluir a cidade na lista dos dez destinos com maior número de anúncios na plataforma”, informou a empresa.

De acordo com dados divulgados pelo Airbnb, somente durante os Jogos Rio2016, a plataforma impulsionou em aproximadamente R$325 milhões a atividade econômica da cidade do Rio de Janeiro, com geração de renda extra de cerca de R$100 milhões para os anfitriões cariocas que abriram seus lares para mais de 85 mil hóspedes brasileiros e estrangeiros.

Com esse crescimento, era natural que o País estivesse na mira do Airbnb e fosse incluído na maior expansão já feita pela companhia desde o lançamento. Rio de Janeiro e São Paulo estão na lista das 51 cidades que receberão até ofim de 2017 o Trips, uma plataforma que vai oferecer “experiências” criadas por moradores dos destinos para que os visitantes tenham acesso a alternativas de passeios feitos e guiados por experts e conhecedores a fundo das cidades.

PEDIDO DE SOCORRO

 Dados do Ministério das Cidades com Denatran e Renavam mostram que o Brasil tem mais de 51 milhões de carros e 21 milhões de motocicletas. Estima-se que sete em cada dez veículos não tenham seguro, ou seja, em caso de emergência podem ficar sem assistência. E é, justamente, este público que astartup eGuincho quer atender. Criado em 2015, o aplicativo, como o nome sugere, é usado para acionar o serviço de um guincheiro. Com o aplicativo de celular, o motorista indica o local em que o veículo está parado e seu destino, logo depois, a plataforma envia o prestador de serviço.

O valor é calculado e exibido ao usuário. Todos os transportes feitos pelos guincheiros são monitorados em tempo real através da plataforma. Em pouco mais de um ano e meio de operação, a eGuincho possui aproximadamente 5 mil clientes em sua base. A meta é conquistar 75 mil novos clientes nos próximos 12 meses. Para isso, mostra-se versátil também na forma como o usuário interage com a startup. “A eGuincho pode ser usada mesmo por clientes que não tenham crédito para usar a internet em seus telefones. Os consumidores podem ligar para a central de atendimento ou enviar um e-mail via wi-fi para qualquer um de nossos canais”, comenta um dos CEOs da empresa, Marcelo Paolucci.

A eGuincho começou com R$300 mil de recursos próprios. “O plano de crescimento prevê o aumento do contato como consumidor, do uso de ferramentas de marketing digital e de ações de relacionamento com os clientes. O objetivoé ampliar o awareness para que mais pessoas possam ter assistência para seus veículos”, diz Paolucci.


MUNDO DA BELEZA

 O mercado da beleza também sente os reflexos da “Uberização”. Tanto que novos aplicativos que permitem a conexão entre clientes e profissionais de beleza começam a cair no gosto dos usuários de smartphones. A Singu é uma dessas alternativas. Criada por Tallis Gomes, a empresa atende a milhares de pedidos semanalmente e vem tendo um crescimento mensal que chega a 30%. A ferramenta tem uma base de prestadores de serviços que atendem onde o cliente estiver. “Os preços são tabelados, e o usuário pode solicitar e pagar via aplicativo de maneira rápida, prática e segura. Os serviços oferecidos são manicure, pedicure, massagem relaxante e modeladora, drenagem, sobrancelha e depilação”, descreve o fundador e CEO da Singu, Tallis Gomes.

No começo da operação, era preciso fazer o agendamento com 12 horas de antecedência; com o aperfeiçoamento, esse tempo despencou para apenas quatro horas. “Nos destacamos perante os concorrentes, pois temos uma base consolidada de profissionais e um time de geração de leads muito competente, além de um ótimo time de CTO”, comenta Gomes.

DENTRO DA AGENDA Se por um lado o Singu conecta clientes aos prestadores de serviço, por outro, a startup Beauty Date tem como foco unir os salões de beleza com os clientes. Funciona assim: o salão se cadastra ou se integra ao Beauty Date e disponibiliza seus serviços com preço e duração. Na outra ponta, os clientes dos salões baixam o aplicativo ou acessam o site e marcam seus horários diretamente na agenda do salão, evitando confusões, falhas de comunicação e conflitos de horário. A ferramenta também dá a opção de criar promoções e conferir o resultado de todas as atividades em relatórios operacionais e gerenciais. “Antes, os salões não tinham informações sobre os clientes, hoje contam com todo o histórico, podendo prestar um serviço personalizado”, pontua o CEO do Beauty Date, Alexandre Kleis.

Atualmente, a plataforma tem 6 mil salões cadastrados e a meta é atingir a marca de 10 mil até o fim de 2017. Por estratégia, a startup não revela o número de usuários que usam a ferramenta. O aplicativo foi fundado por três amigos e recebeu investimentos do grupo IBG e da Valor Capital Group em um total de R$28 milhões.

Também participou da aceleração da 500 Startups no Vale do Silício. Todos os investimentos ajudaram e continuam ajudando no crescimento da empresa. “Foi possível ter um maior conhecimento do setor de beleza, investir em tecnologia e pessoas, e conhecer os processos mais inovadores para a criação de soluções impactantes”, pontua Kleis. O investimento também permitiu a aquisição da AZ Soluções – as duas empresas formaram o B2Beauty Group.

O QUE VEM POR AÍ

 Sucessos dos gigantes, sonho dos menos famosos, o que se sabe é que o conceito popularizado na era da “Uberização” só tende a aumentar. Cada vez mais, pessoas serão “empresas”. “Ainda vamos usar um ‘dispositivo’ nas mãos que hoje é chamado de ‘celular ou smartphone’ que poderá mudar de nome, mas irá integrar as pessoas através de vários aplicativos, unindo uma grande rede de prestadores de serviços, como já temos com diaristas, encanadores, entre outros, além, é claro, das compras via internet”, projeta Alfredo Passos.

 

Revista Gestão & Negócios Ed. 102



COMENTE