Newsletter

Cadastre-se e receba todas as novidades

A Educação pode salvar o Brasil?

Publicado em 18 de Aug de 2017 por Giovanna Henriques |COMENTE

Nenhuma empresa se inicia se não houverem pessoas instruídas corretamente



Texto Luiz Guilherme Brom | Adaptação Giovanna Henriques | Foto Shutterstock

educação

É bastante difundida na sociedade brasileira a ideia de que a educação é a única salvação para o Brasil. Um aspecto dessa ideia é bastante verdadeiro: sem uma educação de qualidade, o País não tem futuro. Mas é importante atentar para a falácia contida nessa percepção: a educação, por si só, nunca salvou país nenhum. E nem salvará o Brasil.

Isto se deve ao singelo fato de que a educação não é uma ação isolada das outras dimensões, tais como a justiça social e as políticas públicas voltadas para saúde, alimentação, moradia, segurança, transporte e oportunidades para todos. Sem que o país avance no sentido de uma maior democratização e de justiça social, uma educação livre, isenta e de qualidade sequer será possível. É ingênuo pensar que “investir em educação” é a varinha mágica que vai solucionar todos os demais problemas do país. Não há um único exemplo de país cujo sistema de educação avançou sem se fazer acompanhar pelo avanço das outras demandas sociais de inclusão da população.

Há sim o exemplo de países totalitários, de ditaduras, que impuseram uma educação enviesada no sentido de reforçara própria tirania. A educação também pode se prestar a isso, ou seja, como um sistema de dominação. Ditaduras também investiram em educação para se manterem no poder. O mantra de “investir em educação” é, portanto, falso se não forem esclarecidos os objetivos e os destinos desse investimento, bem como se não se fizer acompanhar de outros investimentos para a melhoria de vida da população. Com um mínimo de experiência em educar nas redes de ensino, todo professor sabe que um aluno miserável, em situação de risco social, em péssimas condições de vida, tem pouquíssimas chances de avançar.

As exceções apenas confirmam a regra. No Brasil, os municípios, os Estados e a União nunca levaram a sério a educação pelo fato de que nada levam a sério. A educação pública, de qualidade, universal e gratuita só seria possível no País se outros fatores permitissem, como a igualdade de todos perante a lei, como o fim dos privilégios, como uma justiça que funcionasse e como uma política vinculada aos interesses coletivos.

Revista Gestão & Negócios Ed. 102


COMENTE